Esporte como inclusão e reconhecimento da mulher

Atualizado: Abr 6


Há algumas controvérsias na história do Dia Internacional da Mulher, como um incêndio em uma fábrica que teria ocorrido nessa data e teria matado centenas de mulheres. No entanto, na minha busca, o consenso é que desde 1909, havia a ideia de uma celebração anual e veio do Partido Socialista da América, com uma manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Uma alemã, Clara Zetkin, era uma das lideranças pela luta pela igualdade. O movimento era muito forte na Rússia nos países do bloco soviético. Finalmente, em 1975, as Nações Unidas instituíram o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher e tem como objetivo “lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas”. (Wikipedia)


Como vimos acima, a luta pela igualdade de gêneros vem de longa data, seja no direito ao voto, na igualdade de salários no mercado de trabalho, também vemos essa batalha dentro do esporte.


Nem sempre foi permitido que as mulheres participassem de esportes, pois isso era considerado algo masculino. Depois, quando foi “permitido” que as mulheres entrassem no esporte “formal”, eram consideradas “não femininas” ou “masculinizadas”. E, pode parecer que isso faz muito tempo, mas na realidade, as mulheres ainda buscam espaço, respeito e reconhecimento dentro dessa realidade. O investimento em esporte aqui no Brasil já não é tão grande e, ainda por cima, os salários das mulheres atletas ainda são mais baixos que os dos homens.


Porém, é importante olharmos o esporte para as mulheres (e todos os gêneros) de uma forma positiva. Existem vários ganhos para quem pratica a atividade física: em primeiro lugar, a saúde; depois, a estética; e, o que eu acho muito importante também, são os aspectos sociopsicológicos da prática esportiva, especialmente nas competições.


É sabido que a atividade física é recomendada para equilíbrio das nossas funções biológicas, sejam elas musculares, sejam elas hormonais. Na parte muscular, ajuda a nos sustentar, pois com a idade, vamos perdendo sustentação, nossos ossos ficam mais frágeis e vamos precisando fortalecer nossa musculatura. (Não vamos esquecer que o alongamento também é muito importante para não termos lesões musculares.) Na parte hormonal, ajuda no controle de diabetes, pressão arterial, ansiedade e depressão, sono (fundamental), entre outros.


Considerando que o esporte representa aspectos sociais e culturais de um lugar, podemos entender a participação no esporte, tanto individual como em grupo, como uma inclusão sociocultural. A pessoa “pertence” a um grupo ou a uma classe, ela é reconhecida como fazendo parte daquilo. Podemos ver claramente em grupos de corrida, de natação, de bicicleta; treinos de crossfit (geralmente em grupo), treinos em espaços abertos, academia, entre outras modalidades.


Nos aspectos psicológicos, percebemos características como: autonomia, determinação, superação dos próprios limites, persistência, percepção de si e do outro e disciplina. Essas características não aparecem só no papel de praticante de esportes, mas são transmitidas para outros papéis, como por exemplo, o papel profissional. Inclusive, em alguns processos seletivos, o/a entrevistador/a pergunta se a pessoa pratica algum esporte, levando em conta essas “competências” desenvolvidas na prática esportiva, especialmente, quando é praticado em grupo ou em equipe.

Eu, como uma boa adepta da atividade física, recomendo! Além de equilibrar o seu corpo biologicamente, vai desenvolver aspectos sociopsicológicos muito importantes pra vida.


Você, praticante, percebe essas características em você? E você, não praticante, começou a pensar que vale a pena treinar?


Mariana Kawazoe

Psicóloga, psicoterapeuta e especialista em psicodrama. Escreve para o seu blog no site http://www.marianakawazoe.com.br. Canal no YouTube: Psicóloga Mariana Kawazoe. Instagram: @mari_kawazoe

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